Mudando de assunto, vamos falar de sentimentos ?

“Se esse mundo fosse só meu, tudo nele seria diferente
Nada era o que é porque tudo era o que não é.
Tudo o que é, por sua vez, não seria;
e o que não fosse, seria.” (Alice)

Psicanaliticamente falando o gozo está relacionamento com satisfação de prazer (inconsciente) à custa de dor. Prazer a custa de sacrifício, com mutilações. Essas afirmações me levam a crer que gozo é o prazer que eu sinto tendo você em minha vida.

A minha vontade de gozar é idêntica a sua de fugir, uma proporcional a outra em gênero, número e grau. Você me teme e eu te caço. Eu te amo e você se esconde. Você foge e eu te cerco, te perco, te procuro. Você é meu coelho branco, o objeto transicional que tanto falava Lacan.

E agora adentrando ao seu mundo me questiono tal qual Alice ao invadir a toca  fantástica do coelho branco 
“Será que poderia entrar numa festa sem ser convidada?”



Me sinto como a Alice em meu país das maravilhas particular, ditada pelo principio de prazer que governa o meu inconsciente. Correndo perdida em busca do gozo, de uma satisfação que não faz o menor sentido para a minha pobre e desavisada consciência. Estou sempre atrás de um objeto onde invisto a minha libido. Um objeto de prazer a qual me engana e some, corre e se esconde, sempre com pressa. 


Com seu relógio quebrado o coelho é atemporal assim como você quando se trata do seu coração, sempre out do tempo, do mundo, do próprio corpo. Focando seus trabalhos, tarefas e deveres, temendo a grande rainha toda poderosa que a tudo coordena e condena.


Eu sigo trilhando um caminho que não conheço, ao qual parece mudar a cada piscada de olho. Encontrando personagens e indagando-os:
- Você viu um coelho branco passando por aqui?

Uns dizem que você foi por ali, outros dizem que foi por aqui. Alguns afirmam até que você não existe. Eu tenho me perguntado se de fato estou em um sonho ou se tudo isso é real.



O chapeleiro louco me lembra Rubem Alves com suas ideias de “desfazer aniversários”.


Assim como Alice eu já me senti grande,  já me senti miúda. Já acreditei e desacreditei de muitas coisas. Já chorei querendo voltar pra casa, implorei pra que isso fosse um sonho e que eu acordasse daqui a pouco, mas nada... O caminho escuro e confuso continua a minha frente, os personagens que trilham um caminho até você continuam aparecendo e eu te busco a cada esquina, a cada rua, a cada trilha, a cada dia que passa.




Você às vezes aparece vai embora com pressa, não tenho tempo de te falar tudo o que sinto. Não tenho tempo de te perguntar aonde vai, porque tanta pressa e porque foges de mim, mas você some e eu fico mais uma vez perdida e sozinha.