a minha cara de preocupação!


Outro dia comendo pão de queijo em uma padaria com meu melhor amigo a pergunta que não quer calar surgiu: “Você não tem mais contato com ele eni?”

O pão de queijo quase me asfixia ficando preso em algum lugar na garganta. Perguntas homicidas como estas deveriam ser precedidas por sinais de alerta, pra dar tempo nossa vida passar pelos olhos antes do ultimo suspiro neste mundo, se não, não tem graça, não se configura como uma ameaça de morte em potencial. Engoli a pergunta e o pão. Respondi. 

É nítido que eu não tenho mais noticias do individuo sacana que devastou grande parte da minha rosada juventude e deflorou a moça leve e sonhadora da minha adolescência, mas por que justo essa pergunta era recorrente? Não era a primeira vez que pessoas me faziam a queima roupa esse tipo de indagação. Eles só podiam estar de sacanagem comigo. Foi então que pensei na possibilidade de a pergunta verdadeira não ser essa que é expressada e sim outra, que por timidez ou receio, é velada e escondida. “você não gostaria de saber noticias dele ou manter contato?” ou ainda “ você não fuça as redes sociais pra saber como anda a vida dele?”. Essas perguntas sim trariam elementos novos ao discurso.

Quem nunca acessou o facebook do ex que atire a primeira pedra! Não sou a única nesta situação e não enxergo este dado como algo preocupante. Há muito superei a história, já chorei o que tinha de chorar, lamentei o feito, o mal feito, o não feito e o desfeito. Fiquei de pijama sujo por meses confinada em casa, voltada a minha existência megalomaníaca. Engordei 10kg. Emagreci 15kg. Virei Loira, cabelo repicado, base reta, franjão, californianas, já me reconfigurei inúmeras vezes. Entrei e sai da academia. Mudei de curso. Fiz um blog e me tornei o que sou: A tia eni, mulher demais pra ele. Versão 2.4 de mim. Acessar o perfil do cidadão no facebook é apenas uma olhada por cima do ombro para um passado obsoleto. Afinal de contas quem não olha pra trás?

Após a conversa com meu amigo, o pão de queijo engasgado e as reflexões sobre meu novo layout decidi escrever um email destinado aquele a qual não tenho contato. Nossa relação findou numa confusão imensa que acarretou bastante mágoa e dor. A morte de relações, laços e respeito que existia perpassou nosso namorico adolescente e explodiu em nossas famílias, pra mim tudo aquilo era lembrança esquecida, resignificada e posta no baú dos esquecidos, mas decidi hastear oficialmente a bandeira de paz. Na manhã seguinte escrevi uma um email informando que desejava felicidades, estava feliz com suas conquistas e que de mim e de minha família, não restavam magoas, que ele ficasse em paz. Mensagem enviada. Paz. Sossego. Final Feliz.

Até que recebo um email da Lurdinha!

A Lurdinha (nome fictício pra evitar que me processem) é a atual do meu ex namorado e se portou como uma boa e mal educada adolescente respondendo meu email em tom de deboche e ameaça. Assim que abri minha caixa de entrada li seu nome e o Assunto não consegui conter a risada. Ao ler o corpo do email gargalhei alto, ri litros e claro, respondi!

Ao que me parece a Lurdinha vasculha e monitora a caixa de email do Antonino (nome fictício) e a qualquer sinal de vestígios meus o alarme PERIGO é acionado. O email da Lurdinha dizia o que todas as atuais namoradas adorariam dizer para as ex's namoradas, coisas do tipo, "ele é meu agora", "deixe-nos viver em paz", "ele nem sequer lembra da sua existência" e pra finalizar "estamos muito felizes". O que a Lurdinha não sabia é que eu também já tive 15 anos e namorei o Antonino, sei exatamente o que ela está sentindo, sei principalmente o quanto seu relacionamento está uma bosta pra ela ter que afirmar isso de maneira tão enfática pra uma ex namorada dele. 

A Lurdinha ainda me acusou de ser o grande embate entre o Antonino e sua família, veja só eu que estou separada dele há quase 3 anos! (hahaha) Afim de disfarçar ainda disse que o Antonino não quis me responder o email pedindo pra que ela fizesse isso e eu, rindo horrores porque sabia que havia grandes possibilidade de ele nem sequer ter visto tal mensagem, decidi acalmar o coração angustiado da Lurdinha pois já experimentei a loucura que é estar com um homem que na realidade ama outra. A Lurdinha me disse em outras palavras que eu ainda incomodava a vida do Antonino e me perguntei o que afinal era esse incomodo. 

"Querida Lurdinha..." comecei. "Não sabia que um email com duas linhas traria tanto estrago ao seu relacionamento acarretando tanta angustia e agressividade de sua parte." Finalizei me comprometendo a não mais "atrapalhar" a relação com minhas aparições virtuais que eram tão letais a estabilidade do casal e encerrando a conversa com ela.

Poucos minutos depois da mensagem enviada, recebo uma resposta.

"Encerre com ele também." Respondeu a Lurdinha

Eu apenas ri e deletei seu email, enquanto deletava pensei... "Pobre Lurdinha (...)"