diva da tia eni



Eu tenho uma vontade incontrolável de sair correndo por aí, me doar por inteiro e me fundir com o ar. Atravessar oceanos, desertos, fotografar vulcões, admirar a neve caindo do céu e correr ao encontro de filhotes de leão em safares no Quênia, em um calor escaldante como o de Fortaleza. Tenho em mim desejos intensos de exploração de tudo, do clima, tradições, das belezas, e inclusive, das feiuras do mundo. Tenho em mim um desejo intenso do outro, sociedade, cultura, do corpo. Novos idiomas, formas de desvendar o mundo. Desejo de me perder para reconstruir em mim um pouco dessa infinidade de tudo que não me cabe hoje. 

Desejos, vontades, audácia de sentir todos os gostos, fazer todas as viagens e lutar todas as batalhas possíveis a um ser humano normal. O desejo de escavação de tudo me fez criar uma brecha na vida para que este blog surgisse. Parida por mim – angustias e dúvidas – foi a “Eni”, personagem que voz fala, quem me possibilitou a fantasia de expor a face que tantos escondem por aí. As crônicas, os contos, os relatos e desaforos que digo por aqui expressam um pouco dessa experiência de ser as muitas faces que não posso possuir de fato. 

Eu tinha por aqui vontades incontroláveis, desejos inaceitáveis e verdades inacessíveis a pensamentos comuns. Eu tive por aí casos de amores infundados em sentimentos imaginados pela simples necessidade de ter algo a dizer. Eu criei sim um outro que me possibilitou ser aquilo que não era. – Eu, em primeira pessoa e discurso livre – Antes do ponto final. E este foi um dos passos mais libertadores que dei.

Utilizo o “eu” que é pra me implicar no que digo, mas não necessariamente sou o que falo. A criação de um heterônimo que fala por mim dá liberdade ao discurso. Deve ter sido por isso que eu decidi nomear alguém para assumir as dores que não me doíam, os desejos que não me pertenciam e a vida que eu não vivi. Não que me faça bem, ao contrário disso, é apenas divertido e eu tenho seguido.