A vida deu uma bagunçada, em seguida, uma arrumada. Dizem que é assim que ciclos se fecham e novos iniciam, com cheiros debochados e cores de alarmar as pálpebras. O abalo sísmico em meu ego ocorreu para me dar uma lição, que eu, menina travessa, estava abusando da boa vontade de sentimentos bons e não podia continuar assim. Que era pra eu entender que nem todos os meus por causa iriam ter algum porque, que todos os meus poréns não eram e nem nunca tinham sido em vão, mas ainda assim, nem todas as minhas desculpas valeriam um perdão. Principalmente seu.


É isso, esse texto meio piegas com frases repetidas e rimas batidas, querem dizer algo que eu não sei dizer muito bem: Eu quero te pedir perdão. Sou péssima em assumir que estou errada e pior ainda, sou um desastre com pedidos de desculpas. Sei que você não tem obrigação de aceitar esse meu jeito cabeça dura de ser, nem me perdoar por tantos erros e preencher meu vazio existencial que assola o peito e comprime o estômago, eu sei. Mas ainda sem direitos, dedinho cruzado em forma de figa e escondido nas costas, eu espero de coração que você me perdoe. 

Sei que nem sempre sou divertida o suficiente, não sou leve como você espera e inteligente emocionalmente. Eu sou uma mina terrestre em um campo de batalha, pronta a explodir seus membros inferiores se você ousar se retirar de perto de mim. Insegura, irritada e chorona. Mas todos esses sintomas apenas encobrem o pior de todos os meus medos: Eu não suporto a pressão do "ter que ser" a “mulher ideal” para você. Cresci acreditando que idealismos eram fadados ao fracasso, mas tremo internamente ao perceber que todas as outras mulheres do mundo conseguem com sucesso desempenhar suas funções com louvor e o único desastre da natureza feminina parece ser eu!

Exagerada, eu sei. Consigo adivinhar os seus pensamentos agora. Sei que não concorda comigo, mas é sinceramente como me sinto. Às vezes penso que nasci com o gene errado, na época errada, com hormônios invertidos. Ser Sexy, amorosa e gentil como como todas as outras mulheres do planeta parecem ser (sem reclamar) soa como utopia para mim. Eu não consigo inventar novidades para manter o ibope, diariamente ter que superar minhas armas de sedução para mantê-lo interessado, deixando em desvantagem as outras que estão sempre à espreita. Me sinto um pouco homem nesse aspecto e não sei jogar o jogo de “eu não te quero só pra você me querer”. Me sinto infantil e tola por pedir desculpas a você por ser quem eu sou e não ter a certeza de que mereço seu perdão. Mas olha, a partir de agora, quero que saibas que se você apertar minha mão sobre o seu peito hoje a noite e encaixar seu corpo no meu, afugentando o frio, eu vou me esforçar para melhorar um pouco isso que a gente chama de amor. Eu juro.