Oba é carnaval, folia e cores tomam as ruas! Gente arrumando a mala, gente comprando bebida. Filas imensas em caixas de supermercados e em postos de gasolina. Carros entupidos de bagagens e ônibus abarrotado de pessoas. Superlotação de praias, serras, lagos, rios, ruas. Do Oiapoque ao Chuí a ordem da vez é diversão. E está certo, quem disse que não? Ao menos uma vez ao ano recebemos oficialmente uma autorização para nos permitir. Vamos liberar então? Pular, sambar, beber, fazer sexo, beijar na boca, vestir-se de mulher, rebolar até o chão. Acho digno que o alvará da liberdade seja usufruído até a manhã da quarta-feira de cinzas. 

Liberdade, isso mesmo. No Carnaval ninguém é de ninguém. Os freios, medos e receios são jogados ao ar como serpentinas e confetes. Tudo é riso, tudo é lindo, tudo é funk, baladinha elétrica e energético. As grandes metrópoles esvaziam, as marginais e avenidas tão trafegadas o ano inteiro vivem um luto, o asfalto como o único cúmplice, do vazio primoroso estampados com semáforos eternamente verdes.

São dias como estes que sinto alegria em passear pela cidade. O alvoroço tão cotidiano abre espaço para respirar em paz. A lei que impera não é a liberdade? A escolha como direito universal? Então! Há quem se divirta vomitando vodca às seis da manhã. Há quem curta experimentar 10 línguas diferentes em uma noite apenas, pular, sambar, beber, vestir-se de mulher e rebolar até o chão. Mas há também há aqueles, como eu, que preferem um bom filme, uma boa música, chocolate quente e cobertor, peito macio, fazer amor (de verdade) e o carinho que vem depois. Boa comida, banho quentinho e passeio de mãos dadas, afinal “ninguém é de ninguém” não é mesmo? Você é apenas seu e faz o que te dá prazer. E o que me dá prazer infinito é a tranquilidade longe de toda a bagunça e agitação dos dias carnavalescos. 

Gosto do silêncio, do cheiro sutil e detalhes de uma elegante paisagem. Gosto do som da voz baixinho no ouvido, da música leve e que faça pensar. Gosto do que é deslumbrante e delicado. Quem sabe um bom livro seja companhia mais fiel que um tríceps bem definido fedendo a suor e cerveja. 

Como diria Clarice em Felicidade Clandestina “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.” Cada um é feliz do seu jeito.


Bom carnaval crianças, sejam prudentes, nos vemos na quarta-feira e, por favor, não voltem cinzas!