Hoje é um dia 05 qualquer, como tantos já existiram em trilhões de anos. Hoje as pessoas tomam seus ônibus rumo ao trabalho, sonhando com a hora do almoço e o fim do dia. Crianças circulam por parques, pessoas choram em casa por medo de multidões; Bebês nascem enquanto incompreendidos pulam de pontes em movimentadas avenidas em busca da última atenção do mundo. Sorrisos se elevam a gargalhadas e amores se despedem no aeroporto, ao lado dos que se reencontram depois de meses de saudades. O mundo não pára pra ninguém. Os dias têm irreversivelmente 24 horas, preenchidas ou não de boas sensações.

Hoje é uma sexta-feira fria comum, de muito céu e pouca nuvem. Repleta de engarrafamentos e greves que transformam a rua numa imagem em câmera lenta. Não há indícios de nada extraordinário nesta manhã.

Mas você, menina, nasceu num dia 05 como este há vinte e poucos anos. E hoje, dentro de você, tudo é transformado. Ainda que ninguém mais saiba ou se importe, sua vida se altera e se renova nestas horas, caminhando pra maturidade escrita e dita. Pras novas obrigações, novas regras deste jogo absurdo que é esxistir.

Hoje um ciclo se encerra. Velhos vão te dizer pela última vez que está virando uma mocinha e das vezes que trocaram suas fraldas. Somando isso à lembrança de tudo o que foi planejado e não feito, um nó se formará na sua garganta. Não chore, criança... Reviva o que foi perdido com nostalgia saudável e um sorriso verdadeiro. Passou, não volta, mas valeu. Ainda há muito a querer, o que acabou foi apenas a menor parte do caminho. A parte mais incrível ainda está por vir.