Eu já vivi 24 aniversários, 25 réveillons, 2 formaturas, inúmeras decepções e algumas alegrias. Tenho de saldo ainda muitas saudades, algumas viagens e milhares de cicatrizes físicas e emocionais. Acho que essa vida que levei até agora deve ter me ensinado algo de útil, daquele tipo de coisa que não devemos esquecer nunca, afinal dizem por aí que o sofrimento traz grandes lições. Você esteve ao meu lado em 0 aniversários, 0 formatura, em quase todas as decepções, raríssimas alegrias que eu consiga lembrar, uns dois Natais e, acredite, todas as saudades. E disso eu não esqueço nunca, nem com bastante esforço.

Eu sei que existem por aí vagando no mundo pessoas que simplesmente não sabem o que é amar. Esse tipo de ensinamento não é lecionado em escolas, cursos profissionais ou de graduação. Alguns ensinamentos veem inscritos em nosso coração e despertados com a convivência no mundo, só não fazia ideia de que era possível existir alguém incapaz de tamanho instinto básico até conhecer você. E o pior, não há também escolas ou pedagogia que nos ensine a lidar com elas ou que auxilie a blindar o coração para suportar a convivência.

Você acaba ficando na dúvida se as deseja perto ou longe de si. Você fica na dúvida sobre o que maltrata menos. O duro nessa história toda é viver longe de quem se ama. Você cresce, amadurece, torna-se outra mulher e com o tempo o outro já não te conhece. Você sabia que eu adoro teatro e estou aprendendo a pintar? Você sabia que passei pra Filosofia e que escrevi um livro? Sabia que a última vez em que você me viu eu nem lembro mais quando foi? E que todos os dias desde então tenho sentido sua falta? Você sabia que daqui a pouco todo esse sentimento vai embora e junto com ele também se vai a menina doce e apaixonada a qual você conheceu?

Você sabia que todas as pessoas que acabaram por pagar sua dívida comigo, que sofreram ao meu lado as dores de um coração abandonado, que tentaram, assim como eu, entender o porquê da sua frieza, poderiam estar mal por isso até agora? Mas a vida continua. Enquanto você passa o Natal com sorrisos superficiais ou vendo televisão. Enquanto você sobrevive os dias trabalhando sem ter ninguém pra te esperar. Enquanto você goza com alguma vagabunda por aí achando que isso é ser feliz, pessoas participam da minha vida e não deixam, apesar de uma história que tinha tudo para ser dramática, eu sofrer. Estão nos meus aniversários, nas minhas alegrias, e nas tristezas. Percebem que a cada dia eu cresço, aprendo coisas novas, realizo e crio mais sonhos e você fica para trás. E são essas pessoas que jamais me deixarão esquecer de uma coisa: Eu sou amada sim, o que falta de você eu sinto triplicado, quadruplicado por todas as pessoas, que diferentes de ti, me amam de verdade.

Eu sorrio feliz das minhas conquistas, de ter chegado lá. Mesmo que você nem soubesse que lá era meu destino, mesmo que você nem parecesse se importar. E eu não senti sua falta. Não é triste isso? Eu já te chamei de amor, mas buscando passado e revivendo emoções, essa é uma palavra digna de merecimento. E você, longe de merecer, parece desprezá-la. Ou talvez apenas ignore seu significado.

Eu expliquei diversas vezes pra você qual era o seu papel na minha vida. Olha, você tem que se preocupar comigo, com minhas escolhas, minha música favorita e o porquê das minhas lágrimas. Você tem que me amar, porque é o que os homens de verdade fazem quando encontram a mulher da vida. E quando você sentir esse amor explodindo no peito me liga e diz isso. Sente minha falta de vez em quando e me manda um e-mail só pra comentar que ouviu a música que eu gosto e lembrou-se de mim. Ou melhor, não faça nada disso. Nada vai me recuperar.

Pior que o ódio, só a indiferença. Eu caminho entre esses dois estados numa rapidez inconclusiva, esquecendo da sua existência 364 dias por ano e odiando você quando sua voz ao telefone estraga meu dia. Esse é o seu problema: a mania de deixar as coisas pela metade. Por que você não desaparece pra sempre? Sua vida permaneceria igual sem mim. Confesso que chorei muitas noites aguardando um sinal de vida vindo de você, mas agora já é tarde. Eu não vejo você há mais de um ano não adianta mais palavras fáceis, achando que pode mudar uma vida inteira em poucos minutos. Não chorei de saudades, nem de arrependimento. Chorei de angústia, mágoa, raiva, até. Você tem atrapalhado meus planos de independência, atormenta minha vontade de ser confiante. Eu nem acredito mais nos homens por sua causa: E se um dia eu resolver me casar e me deparar com um homem como você? Eu não consigo me apaixonar mais. Nunca confiei em ninguém. E é tudo culpa sua.

Você nunca mais me viu. Não sabe mais a cor dos meus cabelos, se engordei ou emagreci... Não sabe que entrei em outro curso na faculdade, mudei meus sonhos, desisti de sonhos. O tempo continua correndo, tenho tanta coisa presa em mim. Só queria que você soubesse que eu não precisei de você. Que a sua vingança não deu certo. Que descontar em mim suas frustrações só fizeram com que eu ficasse mais amarga, mais descrente, seletiva e sem conseguir manter amizades.

Isso te faz melhor? Diminuir todos à sua volta, te fez maior? Essa sua solidão ridícula é o que você queria? O seu sonho era passar o resto da vida sozinho, sem um amor, sem filhos, sem mim? Então, parabéns! Você cumpriu sua missão na Terra! Chegou a hora de você sumir de vez.