O tempo passa e a gente emudece, para de sonhar, senta e obedece. A maturidade traz mordaças que nem sempre são frutos de sabedoria, às vezes, é só o medo falando mais alto mesmo. Medo de falar e magoar, falar e se equivocar, medo de falar e se expor. Quem é mais corajoso afinal, aquele que fala e expõe sua singularidade para o mundo ou aquele que cala e observa para tentar aprender algo com a experiência do outro? Silêncio e som a dicotomia discutida por séculos.

A angústia por dizer na hora certa apenas o necessário nos toma quando o peso da vida começa a arquear os ombros. O tempo passa e as pessoas esperam de você uma transformação, esperam te olhar e ver uma mulher madura, centrada, mãe. Uma mulher que saiba cozinhar, dirigir que tenha um mestrado e um emprego público ou pelo menos um emprego privado de prestígio, uma carreira em ascensão.  E o peso dos títulos te afundam na grama, na areia, na lama, na cadeira do escritório ou do restaurante e sufocam as palavras.

Se eu não fosse mãe, se eu não fosse médica, se eu não fosse advogada, se eu não fosse à filha do meu pai, se eu não fosse envergonhar meu marido. E silenciamos, às vezes por bem, às vezes por costume, porque o silêncio é agradável, ninguém quer saber de ninguém, ninguém quer ouvir. Ninguém gosta do barulho do outro, as pessoas vivem imersas no seu próprio som.

E é por isso que parei de escrever aqui, aquela prepotência juvenil que se expressa sem medo de críticas, me abandonou e eu me acovardei acomodei. Eu calei por medo de me expor. Eu via certo brilho na minha loucura, mas deixei o mundo me convencer de que sábio mesmo é aquele que cala, maduro é aquele que não se opõe, centrado é aquele que não enfrenta. Por anos eu vivi no solitário silêncio, mas o meu mundo transborda, ele não cabe apenas em mim, é da minha natureza falar, é da minha natureza escrever.


Para a tristeza dos incomodados com o meu barulho, eu sinto muito dizer, mas eu voltei.