Em um mundo de agonias eu sempre fui o resgate, com a carta certa escondida na manga para os mais diversos desalentos, desde crises financeiras a transtornos no casamento, eu sempre fui o afago maternal que se busca após a queda. Eu fui e sou o chão seguro de muitos, a mão amável que levanta, sou o ombro chorado e lamentado, o lenço usado e jogado fora após o amasso de fúria, o ouvido entupido com desenganos. Sou o que fica depois que a dor do outro passa. Eu sou uma espécie de consciência que traz a paz e a felicidade de volta, estampando sorrisos no alvorecer de almas que se enegreceram. Eu sou do bem!

Empréstimo de roupa para encontros e textos para cartas de amor, são minha especialidade. Sou aquela que vai ao mesmo restaurante, senta-se a mesa do lado para enviar energias positivas e vibrar escondido com o toque na mão tão esperado da noite. Eu sou única que acredita na viabilidade das maiores loucuras ao se tratar de sonhos de amigos. Visto a camisa, pago mico, danço Gangnam Style e rebolo se for preciso. Vendo chocolates na praia, construo e reboco paredes, faço dieta junto pra incentivar e corro no calçadão em companhia. Eu sou aquela pessoa que atende telefonemas à noite pra ouvir e fazer rir. Sou aquela que sai de casa e enfrenta o trânsito apenas para tornar o dia de alguém mais rosinha. Eu sou amiga, isso mesmo, daquelas de verdade sabe? Daquelas que dizem por aí que não existem mais, pois é!

Dou a cara a tapa, a outra face também. Cedo meu espaço sem peso na consciência ou dor de cotovelo. Não sinto inveja ou despeita de ex. Não roubo namorado. Não me aproximo de pessoas pelo status ou o modelo do carro. Desisto de algo quando sinto que vou magoar. Apesar de não parecer para muitos eu tenho coração mole e sensibilidade mil, na realidade, de cabeça fria sou incapaz de fazer o mal a alguém. Tudo que faço é de coração aberto e alma limpa. Receber em troca só se for gratidão e respeito, pois gentileza gera paz de espírito e eu respiro em alívio todas as noites com a cabeça leve no travesseiro.

Converso e danço com passarinhos de estimação. Digo que não perdoo, mas ligo no dia seguinte para saber como anda a vida. Ligo no aniversário, Natal, Reveillon ainda que tenha prometido nunca mais ligar. Sabe o porquê? Porque isso é meu, sou assim, ninguém muda. Eu sou sim daquelas meninas bobas que dizem por aí que não existem mais. Não carrego mágoas, por pura incapacidade. Carrego comigo apenas o que foi bom e recapitulo quando o coração aperta e ameaça lágrimas. Eu sou toda amor. Se o cara não merece aí já não é mais comigo. Ele que aproveite a boca boa que a vida ofereceu, pois é de mim apenas ser amor e amar, não há mais como mudar.

Não é que eu escreva sobre melancolias, deixe-me explicar. Eu escrevo na realidade sobre o fim do amor. Por quê? Eu apanhei muito pra aprender a amar de verdade. Apenas com o passar dos anos é que fui tomando nota e dando conta de algumas lições. Eu amava com intensidade: mãe, vó, cachorro, menino da séria acima da minha, depois os professores, a melhor amiga e por últimos alguns cafajestes. Desenfreada seguia doando o melhor de mim e anotando nomes que me deviam afetos.

Eu amei muito muita gente e apanhei, da vida e de pessoas, com força, sem piedade. Tive o coração espedaçado um milhão de vezes em pedacinhos incontáveis e demorei a remonta-lo. Mas eu consegui! Por isso escrevo. Pra dizer que eu entendo e sei como é. Pra dizer ainda que vai passar e está perto. Pra afirmar que o amor vale muito a pena ainda que doa. Que o amor verdadeiro tem de ser amado apenas e só. As recompensas, a reciprocidade, o respeito aparecem sim, mas em uma embalagem colorida com fita de cor e laço bem feito deixando você com olhos arregalados de surpresa! Pode vir um remetente anônimo ou quem sabe do remetente esperado, mas não recuse se vier de um outro endereço desconhecido, o importante é que venha e traga paz.

Ser amiga, filha, mãe, mulher, namorada, esposa, ser gente de verdade dá trabalho, eu sei, mas amar é fácil. Não permita que ninguém te convença do contrário. Não desista de amar nunca. Não deixe ninguém sabotar o seu amor, pois o amor é a força do bem que nos constitui, que nos movimenta. Deixar de amar é perder a si. E ninguém, em hipótese alguma, vale mais a pena que você.

Eu digo pra vida:

– Eu sou do bem e o amor existe. Ele vem me visitar todos os dias quando acordo, dizendo “Hoje eni, vai ser demais!”.